A música começa, os corpos se contraem encaixando-se perfeitamente. O coração cria um ritmo e os lábios apenas o seguem. Um beijo reúne todos os carinhos e os olhos acolhem mais uma memória. Por instinto, meus braços começam a procurar os seus contornos e ali permanecemos por anos, talvez décadas.
Fazíamos nossas próprias letras. Seguíamos o que determinávamos, e sorríamos de forma inocente. Nada silenciava nosso amor. Os sons eram nossas vidas e, nossas vidas, um único som. Embalávamos na presença um do outro, sem que o mundo injusto abalasse o ambiente que criamos.
O peito saltava e a respiração se tornava agitada. Aos poucos, meus olhos foram criando forças para se abrirem. Quando pude ver você em cores novamente, não hesitei em roubar uma dança. Nossos pés desenhavam flores no chão coberto por uma terra vermelha.
Minha imaginação foi além das buscas infinitas que fiz e, enfim, novos anseios surgiram. A felicidade não pertencia a mim. Fiz questão de dá-la exclusivamente a você.
Braços esticados, olhares fixos, paixão ardente e inquietante. Entre giros e rodopios, retornei aos seus ombros largos e perfumados que instigavam meu íntimo. Repousamos sob o por do sol com os pés já adormecidos.
O que é exclusivamente nosso torna-se uma chama incandescente para nossa existência. A noite começa a aparecer e trazer esperanças ao nosso pequeno mundo. As estrelas iluminam nossa pequena rede exposta ao vento. Em um tom suave, a música nos envolve e bocejos começam a se expressar. Antes de dormir, digo o quanto amo aquele que me completa. “Eu existo por você, e você existe por mim”.
Sem resistir, abraço-te e descanso sobre seu peito, pensando que amanhã continuaremos o que apenas começamos. Nossa música tocará, e nossas chamas se reacenderão ao nascer de todos os dias. “Que seja eterno não somente enquanto dure”.
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