Os pulsos saltam à pele quando a pressão sobre a mente é incessante. Os olhos avermelham-se e assemelham-se a um corte interno que deseja transparecer. A respiração encontra dificuldades e exalam dor por todo o peito. Trêmulas, minhas mãos chegam ao alcance dos olhos e posso notar que meu coração já não funciona como deveria.
O desespero certamente não amenizará minha agonia. Meus pensamentos são lúcidos, (ainda). Ninguém a volta, ninguém a espera. Tornei-me o que sempre desejei, assim como o que sempre temi. Sou, mais do que nunca, invisível. Não tenho ação alguma senão me mutilar pelos pensamentos de outrem.
Permaneço assim, sentada em uma pequena cadeira à beira da janela da sala observando a chuva impetuosa que escorre na ladeira. A chama da vela em minha mão permanece acesa, pois o tempo consta meia noite. A insônia curva-me à mercê da sorte, e minha vontade instável permanece inquietante.
As horas aceleram os ponteiros do meu relógio e, os suspiros, cada vez mais raros. A tristeza mistura-se com o medo. As coisas mundanas me submetem à solidão. Isolada pelas águas, começo a despedir-me do chão sob o qual me encontro.
Sinto dormência nas pálpebras e nas pontas dos dedos. Fecho os olhos e ainda consigo ver um pequeno filme que minha mente sempre reprisou. Por medo, afastei àqueles que desejavam estar por perto, e com isso enfraqueci o amor que vivia em mim. Ao leito, esclareço que amei alguém a ponto de me perder em meio a tanto sentimento, mas estou desgostosa em notar que machuquei quem jamais desejei.
Com grande esforço, exalo um sopro sobre a chama acesa. Relaxo meus ombros no encosto e, com um suspiro, deixo que as dores encontrem um fim por si só. Após um leve suspiro, repouso sobre a noite deixando à terra um singelo adeus.
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