Lábios ambiciosos percorrem meu corpo. Quadril. Pescoço. Seios. As mãos surgem firmes e envolventes, deixando-me vulnerável aos sentimentos mais perversos. Delírio.
A respiração ofegante segue um caminho até meus ouvidos. Sem hesitar, entrego-me à loucura e ao prazer. As mordidas se apresentam eficazes e me surpreendem. Arrepio.
Cada pedaço de mim arde em fogo. A volúpia me consome. O suor, a união dos corpos e o encontro de nossas faces selavam o momento. Suspiro. Diante de mim, um corpo belo e forte se apresentava sem sinais de exaustão.
Lábios ambiciosos e amorosos que dispunham a acariciar-me insaciavelmente. Sussurros diziam: “Eu quero mais. Eu quero muito mais você”. A força das palavras impunha-se e exclamava, à face, um sorriso. O mais belo sorriso.
Meu corpo era fixamente observado por aqueles olhos castanhos. Cada milímetro de perfeição excitava-me. Sem remorsos, consenti em ser conduzida a um teor de prazer indubitável.
Uma pontada de alegria seguida de um vazio sem fim. Fui ao ápice e vivi o que posso chamar de tudo. Porém, ao retornar à realidade, percebi que eu não tinha mais nada além de solidão.
O homem nu se mantinha entrelaçado entre os lençóis, gabando-se da noite e eu estava do outro lado da cama, cercada pelos travesseiros, tentando encontrar algum consolo para minha imprudência.
Presenciei um risco de vida deitando-me com um desconhecido, posterior ladrão de sentimentos que, além de roubar meu amor, conseguiu tirar também um pedaço da minha vida.
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